Mobilização
Manifestação dos caminhoneiros perde força em Pelotas
Maioria já retornou ao trabalho. Cidade chegou a registrar fila de veículos em postos de combustíveis
Jô Folha -
A mobilização dos caminhoneiros em Pelotas, na BR 392, no quilômetro 66, acabou se enfraquecendo durante o dia de ontem. Os trabalhadores que se encontravam no local foram liberados para trafegar nas vias ainda durante a manhã e poucos manifestantes seguiam mobilizados na beira da via. Mesmo assim, postos de combustíveis registraram fila de veículos ao longo do dia.
Pela manhã, a reportagem observou alguns postos com fila. Um na avenida Ildefonso Simões Lopes, um na rua Almirante Barroso e outro na avenida Rio Grande do Sul, no Laranjal. Na parte da tarde, a equipe do DP percorreu as principais vias da cidade e encontrou apenas um estabelecimento com movimento fora do normal. O gerente de um posto na região Central, Matheus Alalam, contou que o local teve alto fluxo de clientes pela manhã, chegando a formar fila por mais de uma quadra. Além disso, por volta do meio-dia, ficou sem combustível - exceto óleo diesel - podendo retornar às atividades apenas às 16h.
Em um posto no Laranjal a situação foi semelhante, porém não chegou perto de acabar com os estoques de gasolina, diesel ou álcool. O gerente do local, Glaudemar Blodorl, falou que desde o final da quarta-feira o movimento começou a se intensificar e, no início da manhã de ontem, formou-se uma fila significativa. O proprietário de uma tele-entrega de gás, Paulo Abel, estava no posto abastecendo sua moto, mas garantiu que apenas por rotina. "Não acredito que seja uma manifestação a ponto de afetar o abastecimento", pontuou.
Protesto na BR-392
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os manifestantes liberaram ainda pela manhã os motoristas que estavam no posto do quilômetro 66, sem nenhum tipo de problema. Depois disso, apenas alguns trabalhadores seguem no local protestando e convidando outros condutores a aderirem. A PRF ainda informou que houve contratempos isolados, como o corte da mangueira de ar de um bitrem. Nessa situação, os profissionais prestaram o auxílio necessário e retiraram o veículo da pista para o conserto. A PRF também disse que, até então, não foi necessário nenhum tipo de escolta, apenas o serviço de monitoramento e orientação para frisar que os caminhoneiros não podem ficar retidos. Ou seja: quem quiser sair, deverá sair.
Presidente pede pelo fim da mobilização
Em um áudio direcionado aos caminhoneiros, não publicado nos perfis oficiais, o presidente Jair Bolsonaro pediu às lideranças do movimento que desbloqueassem as vias para evitar desabastecimento e aumento da inflação.
"Fala para os caminhoneiros que são nossos aliados que esses bloqueios atrapalham nossa economia. Isso provoca desabastecimento e inflação. Prejudica todo mundo, em especial os mais pobres. Dá um toque para os caras, para liberar, para a gente seguir a normalidade. Deixa com a gente em Brasília aqui, agora. Não é fácil negociar e conversar por aqui com outras autoridades, mas a gente vai fazer nossa parte e vamos buscar uma solução para isso, tá ok? Aproveita e, em meu nome, dá um abraço em todos os caminhoneiros", disse o presidente.
Já na noite de quarta-feira, o ministro Tarcísio Freitas confirmou a autenticidade do áudio com a voz de Bolsonaro. "Esse áudio é real e é de hoje. Ele mostra a preocupação do presidente com a paralisação dos caminhoneiros, que iria agravar efeitos na economia e inflação, e ia impactar nos mais pobres e vulneráveis".
Repúdio
A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística emitiu uma nota para repudiar as paralisações em todo o Brasil. "Trata-se de movimento de natureza política e dissociado até mesmo das bandeiras e reivindicações da própria categoria, tanto que não tem o apoio da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos. Preocupa a NTC o bloqueio nas rodovias, o que poderá causar sérios transtornos à atividade de transporte realizada pelas empresas, com graves consequências para o abastecimento de estabelecimentos de produção e comércio, atingindo diretamente o consumidor final, de produtos de todas as naturezas, inclusive os de primeira necessidade da população, como alimentos, medicamentos, combustíveis, etc.", diz uma parte do documento.
Além disso, a Associação deixou explícito que não apoia o movimento. Também orientou as empresas de transporte para que sigam com suas atividade e digam a aos seus motoristas que, em caso de bloqueio dos seus veículos, acionem imediatamente as autoridades policiais.
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